quarta-feira

Trecho do Livro: Ensaios de Amor

Alain de Botton

Quando olhamos para alguém (um anjo) de uma posição de amor não correspondido e imaginamos os prazeres que estar no céu com essa pessoa poderia nos trazer, tendemos a deixar de lado um risco relevante: como os seus atrativos podem num instante empalidecer se ela começar a nos amar. Nos apaixonamos porque desejamos escapar de nós mesmos com alguém que é tão bonito, inteligente e interessante quanto somos feios, estúpidos e chatos. Mas, se um ser tão perfeito um dia se virasse e decidisse que nos amaria? Só podemos ficar um tanto chocados: como pode ele ser tão maravilhosos como havíamos esperado quando tem o mau gosto de aprovar alguém como nós? Se para amar precisamos crer que o amado nos supera de algum, não é um paradoxo cruel que emerge quando ele retribui esse amor? Somo levados a perguntar: "Se ele/ela é realmente tão maravilhoso(a), como é possível que ele/ela possa amar alguém como eu?".

(...)

Poucas coisas podem ser ao mesmo tempo tão animadoras e tão aterrorizantes quanto reconhecer que se é o objeto do amor de outra pessoa, pois se você não estiver de todo convencido de sua própria capacidade de amar, então receber afeto pode parecer como receber uma grande honra sem saber ao certo o que se fez para merecê-la. (...) Existem pessoas para quem essas demonstrações são apenas uma confirmação do que elas suspeitaram o tempo todo: de que são por essência passíveis de serem amadas. Contudo, existem aquele que, sem crer em sua própria capacidade de despertar amor, não se deixam convencer tão facilmente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

""Erótica é a alma""

Adélia Prado