segunda-feira

TORÇO PELO MEU AMOR

Fabrício Carpinejar


Por que a gente não luta por um amor como a gente luta pelo time de futebol? Por que a gente não tem a mesma paciência? Por que a gente não faz a mesma torcida esperançosa? Por que não desfrutamos da mesma garra?

Com o time de futebol, nunca deixamos de estar junto. Ele pode ir para a série C que permaneceremos frequentando o estádio e assistindo aos jogos.

Pode estar quebrado, falido, com salário atrasado, jamais largamos a bandeira, a carteirinha de sócio, a confiança do estádio.

Já com o amor, desistimos rápido. É só o nosso amor cair para a segunda divisão que o abandonamos. É surgir alguma dificuldade, alguma crise, algum contratempo, uma sequência de partidas sem resultado, que desejamos virar a casaca.

Com o time, nunca renunciamos nossa torcida. Nossa equipe pode estar jogando no inferno que continuaremos seguindo a caravana.

Já com o amor, é cair o padrão do jogo um pouco, e já pulamos fora.

Com o time, podemos esperar vários campeonatos, várias décadas, até ser campeão.

Já com o amor, não esperamos nem uma temporada.

Com o time, pedimos a troca de técnico.

Já com o amor, pedimos a falência do clube.

Se o amor fosse futebol, nosso relacionamento estaria salvo.

Torço pela Juliana como se fosse o Internacional, apesar dela ser gremista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

""Erótica é a alma""

Adélia Prado