quinta-feira

Subverso


Jefferson Vasques


em algum lugar
dentro
te espero
fecho olhos
(e novamente os fecho (por dentro))
aguardo
humilde
(sob a chuva que te incandesce)
teu cheiro incerto
de cascas,
folhas,
restos...
Foi longo o exílio...
e o tempo
cinza
como pó de mortos na garganta
fez
de minha língua
um silêncio grosso
de gosto estéril
Mas agora
ajoelhado sobre
o que me resta
aguardo
sereno
circunflexo
e me ofereço
corpo
a tua desordem
e me ofertando
num véu branco de vento e silêncio
solitário...
sim
solitário e inteiro
sei que surgirás
veludo clandestino em meu peito
e entorpecerá meus olhos
e sussurrará desejos
e abrirá meus lábios
com seus lábios
dentro
e assim
labioslambendo
um
a
um
meus doces medos
geme
essa palavra
(subversiva!)
no verso de minha língua:
Vida!

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