<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24472875</id><updated>2012-02-10T11:48:35.195-02:00</updated><title type='text'>Eu caçador de mim</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://biancache.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24472875/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://biancache.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24472875/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>bianca alves de lima</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-1cg4djXMLTA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/YruyGpOpYEw/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1215</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24472875.post-1858520845661444623</id><published>2011-12-26T12:16:00.001-02:00</published><updated>2011-12-29T15:22:01.198-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Bianca Alves&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_wyDHr_69xY/TviBiC3j6KI/AAAAAAAAC_k/_0hu2q3vUGI/s1600/DSCN1070.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" rea="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-_wyDHr_69xY/TviBiC3j6KI/AAAAAAAAC_k/_0hu2q3vUGI/s320/DSCN1070.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Eu esqueci uma encharpe&amp;nbsp;verde no seu carro, já tem um tempo isso, estou fazendo um exercício de lembrar coisinhas pequenas com grandes significados, é preciso saber como a gente chegou até aqui, é preciso refazer o caminho pra que a gente continue, você levou o&amp;nbsp;encharpe &amp;nbsp;para o seu quarto, olhou pra ele e cheirou fundo as minhas essências, meu perfume foi dormir contigo e você estranhamente não lembrou de mim, o cheiro era o seu, isso mesmo, na infinidade de cheiros e prateleiras, marcas, frascos, usávamos o mesmo perfume, não estou lembrando cronologicamente, não pretendo remontar nossa história, com inicio, meio e na esperança humana, romântica, de que não tenha fim, fomos nos descobrindo, nos achando nos escombros, fomos nos tratando, nos curando do passado, nada com propósitos, de propósito, fomos ficando, demorando, morando, quando vi, era sua, com aliança e promessas silenciosas de ficar um pouco mais, fui gostando do seu gosto, dos seus silêncios, das suas mãos rosadas, dos desenhos do seu corpo, da sua pele clara, dos seus carinhos tímidos, é preciso te ler aos poucos, tudo seu é contado, tens uma delicadeza nos gestos, uma doçura nos olhos, fazer sua leitura não é fácil, é preciso ter bagagem, é preciso ter passado pela poesia, pelos românticos, pelos filósofos, é preciso entender o silêncio, é preciso falar com flor, é preciso desconstruir estereótipos, arquétipos, você é uma infinidade de gentes, sua existência confunde, inquieta, será timidez, metidez, será que gosta de mim, foram algumas perguntas que eu fiz ao meu coração quando você chegou, depois de 1 ano, continuo fazendo perguntas e você continua me confundindo, isso me perturba e me fascina, não tenho idéia sobre o fim do livro que estou lendo..&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.”O tempo andou mexendo com a gente, sim”, tão acertada essa frase que escolhemos pra se eternizar na gente, pra ultrapassar a gente, já roubamos livros, freqüentamos a feira da Ceilândia e compramos discos, já fizemos viagens e nada superou aquela picanha, já atravessamos a rocinha e abraçamos o Cristo, conhecemos a Macabea de verdade, já tivemos dois cofres, já nos amamos em diferentes quartos, já ensaiamos ir embora, trocamos olhares em terreiros e em igrejinhas, trocamos alianças, ciúmes, livros, já rimos muito e choramos algumas vezes, dormimos poucas vezes sem desejar “Boa noite”, é fato que o tempo anda mexendo com a gente, com o olhar da gente, é fato que conhecemos a dúvida, que o amor nem sempre é emocionante, aflorado, visceral, mudamos, amor...e incrivelmente, continuo amando cada pedacinho seu...pelo tempo que durar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Drummond dizia: Sejamos pornográficos, docemente pornográficos. Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em grosseiramente pornográficos. Por isto, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinicius de Moraes ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense: &lt;br /&gt;Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados. Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos. Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos. &lt;br /&gt;Vejam o nosso sedutor e exemplar Vinicius, que há 20 anos nos deixou, delicadamente. Era um profissional da delicadeza. Naquela sua pungente Elegia ao primeiro amigo, nos dizia: &lt;br /&gt;Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha alma &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me entediam, abandono-as delicadamente, desprendendo-me delas com uma doçura de água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprende esse fluido que as envolve de maneira irremissível &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com singular delicadeza. Não sou bom &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um loboEstá aí: porque somos ferozes precisamos ser delicados. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados. Lembram-se de Rimbaud? Ele dizia: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Por delicadeza, eu perdi minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. &lt;br /&gt;Confesso que, buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutando palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de ser cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles. &lt;br /&gt;A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética. &lt;br /&gt;Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas-mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios. &lt;br /&gt;Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST&amp;nbsp; com sua foice e fúria &amp;nbsp;dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres desse país há 500 anos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memoráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e, no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou o seu contato com os índios brasileiros: Morrer se preciso for, matar nunca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo, não nos deixam ser delicados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não sei? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E se necessário for, cruelmente delicados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Kkcf8gYcS9s/Tekhs5vprKI/AAAAAAAAC-I/j_3OqwnjsJQ/s1600/estante.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="392px" src="http://3.bp.blogspot.com/-Kkcf8gYcS9s/Tekhs5vprKI/AAAAAAAAC-I/j_3OqwnjsJQ/s400/estante.jpg" t8="true" width="400px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Chegou tão discreto, quieto, que não parecia nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não era pra durar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O amor me acolheu calado, instropectivo, me beijava só ao se despedir, nem ao menos me abraçava&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não, não era pra durar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ouvia-me sem troca e se mostrava desinteressado na minha mania de falar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Definitivamente, não era pra durar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu insistia...sem entender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Algo me fazia querer&amp;nbsp;ficar na sua boca, na pele clara, nos braços, no corpo, no cheiro, no cabelo de sol&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Você quase não se mostrava&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas o que&amp;nbsp;via, era bom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;E como nos livros vencidos pela insistência do leitor nas primeiras páginas, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;comecei a te ler&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Era espantoso, você se parecia comigo, fui me reconhecendo na sua estante, CDs, filmes, você foi crescendo na minha história, foi ganhando os meus olhos curiosos, tornou-se a heroína do livro, com rima, repente e trilha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O amor aprendeu a me abraçar, agora me prende nos braços e lamenta quando nos separamos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Acostumou os ouvidos nas minhas histórias intermináveis de Sherazade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não era pra durar, lembro que não&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;Não faço nada antes de te&lt;/em&gt; &lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;L&lt;/span&gt;.&lt;em&gt;er&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagens são palavras que nos faltaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai frases de pensar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar é uma pedreira. Estou sendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas e tontos se compõem com palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os caminhos - nenhum caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos caminhos - nenhum caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum caminho - a maldição dos poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chove torto no vão das árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chove nos pássaros e nas pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crianças fugindo das águas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esconderam na casa.&lt;br /&gt;Baratas passeiam nas formas de bolo...&lt;br /&gt;A casa tem um dono em letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele está pensando -&lt;br /&gt;&amp;nbsp;no silêncio Iíquido&lt;br /&gt;com que as águas escurecem as pedras...&lt;br /&gt;Um tordo avisou que é março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfama é uma palavra escura e de olhos baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pode ser o germe de uma apagada existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fóssil, ao ouro que trazem da boca do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei nas pedras negras de Alfama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errante e preso por uma fonte recôndita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos com flor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever nem uma coisa Nem outra -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fim de dizer todas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, pelo menos, nenhumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao poeta faz bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desexplicar -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que o homem se torne coisal,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corrompem-se nele os veios comuns do entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um subtexto se aloja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instala-se uma agramaticalidade quase insana, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que empoema o sentido das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aflora uma linguagem de defloramentos, um inauguramento de falas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa tão velha como andar a pé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses vareios do dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que se dar um gosto incasto aos termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haver com eles um relacionamento voluptuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez corrompê-los até a quimera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existir mais rei nem regências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma certa luxúria com a liberdade convém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas Metamorfoses, em 240 fábulas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ovídio mostra seres humanos transformados &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em pedras vegetais bichos coisas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo estágio seria que os entes já transformados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falassem um dialeto coisal, larval,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedral, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceria uma linguagem madruguenta, adâmica, edênica, inaugural &lt;br /&gt;- Que os poetas aprenderiam -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde que voltassem às crianças que foram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às rãs que foram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às pedras que foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para voltar à infância, os poetas precisariam também de reaprender a errar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse é um convite à ignorância? A enfiar o idioma nos mosquitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma demência peregrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o medo da lucidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choveu na palavra onde eu estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu via a natureza como quem a veste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me fechava com espumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formigas vesúvias dormiam por baixo de trampas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei umas idéias com as mãos - como a peixes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem era muito que eu me arrumasse por versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele arame do horizonte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que separava o morro do céu estava rubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rengo estacionou entre duas frases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma descor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase uma ilação do branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha um palor atormentado a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pato dejetava liquidamente ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Será? Afinal, todos têm um amigo negro, ‘minha filha até se casou com um’, acho que você já escutou isso e o racismo continua em alta ou você acha que o personagem do Lazaro Ramos, acabou com isso? Negros quando exercem alguma forma de poder são metidos e egocêntricos, como o da novela das 8? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O país laico (leia de novo) tem uma banca evangélica na câmara que anda endemonizando e fomentando a violência contra os homossexuais no Brasil, o que está escrito nas escrituras, não rege as leis e normas do país, em alguns lugares do mundo a bíblia sagrada não passa de uma alegoria, um livro mítico, os cristãos hoje são cerca de 2 bilhões, 1/3 da humanidade, somos hoje, mais de 6 bilhões de pessoas, o que significa, amado, querido, que a maioria das pessoas não acreditam no seu &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;deus&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Não estou confrontando, nem sendo herege&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;&lt;em&gt; ( aquele que escolhe),&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; gosto da palavra, gosto de escolher e não serei condenada por isso, o meu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: large;"&gt;DEUS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, me quer bem, nos quer bem e me ama,amando quem o meu coração escolher. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais,Transgêneros e&amp;nbsp;Heteros, amem, só não amem com medo, isso&amp;nbsp;seria pecado,isso seria errar o alvo. AMEM, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;AMÉM!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Acredite, não estou falando de sexo, a gente sempre sabe o que fazer com o sexo, ele chega a ser limitado de tão humano, de tão nosso, sabemos onde &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;tocar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, mas, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;tocar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; o outro é matéria pra poucos, a pele é frágil e engana, se arrepia com vultos, ventos fortes e atritos, quero ver &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;tocar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; por dentro, permanecer na ausência, por birra, ser burilado, amor mesmo é escrito por dentro,&amp;nbsp;talvez seja essa&amp;nbsp;minha dificuldade de entendê-lo, eu não vejo &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;o amor, incrustado no lado de dentro, de dentro da gente, é preciso ficar nua, sem descer do salto, sem se perder no outro, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;sejamos inteiros na &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;nossa nudez&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, vamos, me fotografe? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Ainda que seja uma hora, um dia, uma semana.&lt;br /&gt;Sentir saudade agora é sentir as saudades de minha vida com ela.&lt;br /&gt;Saudade é uma experiência que não termina de terminar.&lt;br /&gt;Com a saudade, não sinto falta dela, mas do que sou com ela.&lt;br /&gt;Saudade é vaidade. Lamento a própria ausência, apesar de parecer preocupado com a ausência dela.&lt;br /&gt;Saudade é o luto do meu pensamento, a morte do meu pensamento. É nunca mais pensar como solteiro; é pensar como casado daqui por diante. Jurarei que minha risada é mais extravagante em sua companhia, de que sou mais elegante em seus ombros, de que o mundo gosta de nos ver abraçados.&lt;br /&gt;Saudade é não se bastar mais, é depender de alguém para continuar sendo. Depender de alguém até para deixar de ser.&lt;br /&gt;Com a saudade, finjo que me preocupo com minha amada, mas é apenas um jeito de me preocupar comigo. Ela não está mais perto para me melhorar, me antecipar.&lt;br /&gt;Não é que posso perdê-la, eu é que posso me perder longe do que já fui com ela.&lt;br /&gt;Saudade é uma soma daquilo que não somos quando o outro se afasta e daquilo que somos quando o outro está junto. É a certeza de nossa insuficiência. Representa um desfalque da personalidade. Passo a me dar conta de que somente existo para me exibir à ela. Isolado, tenho a sensação de engano, de boicote, de que não nasci inteiro, de que não morrerei inteiro. Minhas palavras ficam tímidas; meu rosto, desafinado.&lt;br /&gt;Saudade é imaginar por dois não sendo mais nenhum. É agir solitário no plural.&lt;br /&gt;Não é uma generosidade, mas seu contrário: um profundo egoísmo; não queremos que amada se distancie para que ela não descubra nossa desimportância. No fundo, é o medo de que a nossa companhia não sinta saudade. O receio do fim. A primeira histeria. A primeira crise de nervosismo.&lt;br /&gt;Saudade é uma covardia corajosa, uma ansiedade cheia de paciência, uma preocupação despreocupada. É se ofender elogiando outro, é se elogiar ofendendo o outro.&lt;br /&gt;Saudade é uma antecipação do abandono. Uma despedida provisória que dói igual a um desenlace definitivo. É um aceno que não entrega a mão ao ar, um cumprimento que não fecha os dedos.&lt;br /&gt;A saudade é acordar na sexta como se fosse sábado. É vestir nossa roupa predileta para permanecer em casa. É arrumar a cama para dormir no sofá.&lt;br /&gt;A saudade surge antes da saudade. Definimos dentro do fato qual será a lembrança de que sentiremos saudade. Sentimos saudade no meio da experiência.&lt;br /&gt;Saudade é uma alegria entristecendo.&lt;br /&gt;Porque toda alegria só será definitiva depois da saudade. Depois da tristeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Comprei uma maquina de escrever (risos), uma&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;a href="http://lista.mercadolivre.com.br/maquinas-escrever-remington/"&gt;&lt;span style="background-color: #999999; color: white; mso-bidi-font-weight: bold; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;&lt;em&gt;Remington&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; linda, vou catar palavras nela e escrever para o ser que amo, muitos dirão que sou nostálgica, romântica, sei lá, sei lá o que sou, só quero catar cuidadosamente palavras de afeto, as mesmas, não se escreve diferente sobre o amor, o conteúdo do amor é que é diferente, nunca o repeti, não cometeria tamanha indelicadeza, amo, e é inédito o meu querer, então me queira, e quando se cansar, não espere o meu cansaço pra ir, vá, amores são livres, os que passaram por mim já adormecem em outros braços e fazem novas promessas, será sempre assim, é &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;claro, claro &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;amor, &amp;nbsp;que quero quietar meu corpo no seu e me embolar nos seus desenhos e beijar seus cabelos &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;claro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;s,&amp;nbsp;e &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;demorar,&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;de morar, morar&lt;/span&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;, orar, ar,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; anos no seu peito&lt;strong&gt; &lt;span style="color: orange;"&gt;(...) &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Diz-se íntimo do que não pode ser exposto. Fala-se da intimidade para expressar aquilo que não cabe na exterioridade das existências. Íntimo é sempre relativo ao que se esconde, ao reservado, ao que se preserva do contato com a esfera da vida pública. É uma instância de segredo, por meio da qual seres humanos se sentem donos de si mesmos. Íntimo é, pois, o lugar onde cada um se sente descoberto em sua subjetividade apenas para si mesmo, em uma espécie de contraposição ou negação da objetividade. Como na solidão na qual, em vez de sofrimento, encontra-se a salvaguarda de si. Por meio da intimidade cada um se sente em uma ilha deserta para a qual viajou voluntariamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Íntimo é aquilo que não pode ser simplesmente comunicado. É o que se aparta da comunidade mesmo permanecendo dentro dela. Íntima é, da vida, a parte silenciosa, a que não pode ser publicada. Ocorre que a cultura humana é marcada pela exigência de comunicabilidade. Relacionamo-nos uns aos outros e nesta ação linguística está o cerne da experiência humana enquanto ela é política e ética. Certamente deturpamos o sentido da comunicabilidade quando a compreendemos como mera relação de troca em um mundo de mercadorias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na cultura contemporânea em que as tecnologias da imagem aliadas aos meios de comunicação de alta difusão determinam as formas de vida na sociedade do espetáculo, em que a era digital define um padrão estético e ético de ação, em que a compulsão à exposição de si vai das revistas de celebridades às redes sociais, não é difícil pensar que vivemos no tempo da banalização da intimidade. Tal banalização é, na verdade, um interessante paradoxo. Se banal é aquilo que pode ser usado por todos, enquanto íntimo é aquilo que pertence apenas a um indivíduo, como seria possível banalizar o íntimo sem eliminá-lo? Em outras palavras, se banalizamos o íntimo e assim o eliminamos, será mesmo do íntimo e da intimidade que ainda estamos tratando? Ora, a expressão da intimidade sempre fez parte dos esforços poéticos e literários na história humana. Mas se não foi simples para os poetas, por que devemos achar que é tão alcançável e comunicável pelos internautas e usuários das mídias contemporâneas em geral?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A intimidade banal não existe. Aquilo que podemos chamar de compulsão à exposição representa-se na extinção do íntimo. Se íntimo é o que não se expõe não podemos considerar que a publicização da vida tem simplesmente o poder de extirpá-lo. A exposição de “intimidades” – como as partes íntimas, as mais ocultas no corpo de uma pessoa – são bem conhecidas nas representações de obscenidades que compõem a pornografia. Há que se considerar, no entanto, que o órgão sexual exposto já não é íntimo, mas obscenamente recortado, ele é qualquer coisa que se dá a conhecer como objeto, como algo não mais experimentado subjetivamente, mas objetivamente percebido. Íntima é uma experiência de subjetividade que não é facilmente medida em termos objetivos. Ela é conhecida apenas negativamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pergunta é, portanto, em que momento o íntimo deixa de existir? Por que precisamos pensar que os tempos de miséria da subjetividade vencem tão facilmente o elemento misterioso que compõe a experiência de si a que denominamos intimidade e sobre a qual podemos falar apenas de fora, justamente porque as palavras apenas a tocam como algo externo à medida que ela se refere a um “dentro”? Que lógica seria esta que desconsidera tão facilmente sua potência? Discursar sobre seu fim é alerta contra um perigo que paira sobre ela ou mera propaganda niilista que inventa tê-la encontrado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A intimidade é mais uma forma de relação do que uma instância. Assim, não podemos dizer que o ciberespaço, que a internet como “lugar” substitui o lugar da intimidade, porque a intimidade não é simplesmente algo que se encontra no espaço, não é, portanto, um objeto. Ela é, muito mais, aquilo que, do espaço não se pode simplesmente acessar. Tampouco é um dentro que se põe para fora. A chave da intimidade pertence unicamente a seu portador. Assim é que a intimidade é um modo de relacionar-se com espaços e objetos que se configura e reconfigura nos processos sociais. Ela é uma experiência pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo, as redes sociais não eliminam a intimidade pela sua hiperexposição porque intimidade é o que, sendo exposto, já não está ali. O que as pessoas expõem é a angústia do vazio enquanto a intimidade é algo que permanece na esfera de segredo de cada um. Logo, a exposição da intimidade na internet ou é mentira ou é compulsão à exposição. A intimidade mesma é uma força de negação que não se reduz a demandas objetivas sem resistência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-bDeTRLe13KM/TXbPjWCzYsI/AAAAAAAAC9g/Pwlu2XSfDr8/s1600/sonhadores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="227" q6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-bDeTRLe13KM/TXbPjWCzYsI/AAAAAAAAC9g/Pwlu2XSfDr8/s320/sonhadores.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;Filme, Os Sonhadores (The Dreamers) , dirigido por Bernardo Bertolucci, cena inspirada na Vênus de Milo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da graça e leveza que carregam nos pés e na dança do corpo e dos cabelos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esvoaçados, comportados, revoltos, soltos, presos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma única mulher carrega com elegância tantas outras, de tantas formas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se toca a mesma mulher num único dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se abraça esse ser infinito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se repete nada na mulher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desconfio que a poesia nasceu de seu ventre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ser perigoso por ser cheio de curvas, abismos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ama-se a possibilidade de tocá-la&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ama-se a possibilidade de entendê-la&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ser curioso e devastador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segundo a escritura sagrada foi ela que despertou o profano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a fome imediata, o olhar que pretende ser beijo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ser mitológico, enigmático, transparente, inspirador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;completa a existência do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha existência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de choro fácil, de riso fácil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quantos não morreram tentando tocar a alma de uma mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helenas, mulheres de Atenas, Marylin, Leila Diniz, Olga Benário, Rosa Luxemburgo, Frida Kahlo, Marisas, Marias...você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me alimentaram, me carregaram nos braços, melhor lugar pra morar numa mulher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;de bíblias nas mãos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, acreditam poder salvar o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;de pintura forte&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, telas vivas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;de olhar triste&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, é fácil escrever pra elas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;de voz doce&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, acredite elas não são fracas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;mulheres que amam seus homens&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, força e delicadeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;mulheres que amam mulheres&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, delicadeza e longas conversas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;mulheres que amam seus filhos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, fetos, afetos,eternos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;mulheres que amam seus amigos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, laços ternos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;mulheres com bandeiras,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; incansáveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;mulheres sem bandeiras&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, esperam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;mulher e música&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp; letra, composição, inspiração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;mulheres na literatura&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, literatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;MULHER=&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;inclassificável, ilegível,intraduzível, não se traduz nada no coração de uma mulher e impossível não amar o ser que inventou o amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Texto publicado em março de 2010, vale a pena ler de novo.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Continuas aqui dentro de casa e do esqueleto deste velho homem. Não há data nem memórias para este tipo de partida. Apenas deixei de regar as plantas por um tempo, como se fosse uma cerimônia de adeus. No mais… representas todos os meus fantasmas e surtos de sempre, as assombrações de quem fracassa na esquina do Exagero com a Má-Sorte, mala-suerte amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fratura exposta, raio-X da calavera de um drama mexicano, como a culinária temática da última noite, olvidas, cariño? Ou já havias partido de véspera? Nunca se sabe. Na dúvida assumo a culpa, porque amor sem culpa é Roma sem hóstia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que eu mais ou menos dizia: as mulheres são todas diferentes. Quando se perde um homem, há outro igual ao virar da esquina. Quando se perde uma mulher, é uma vida. Desde o dia em que cai aos pés de certa dama, não sabia se estava a ganhá-la ou perdê-la. O AMOR É FODIDO, do amigo ultramarinho Miguel Esteves Cardoso, me ensina coisas, aqui releio as linhas do fado, reinventando Capibaribes e Tejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário das pulgas sado-camonianas, este gajo, em passeio comigo em certa noite das antigas, na cidade de São Paulo, boate Love Story, dizia que as lágrimas das raparigas são coquetéis sem álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer “não chores” funciona sempre, porque só mencionar o verbo “chorar” emociona-as e liberta-as (na próclise amorosa fora de tempo e lugar, acredite), dando-lhes carta branca para chorar ainda mais. As raparigas, depois de chorar, soprou-me o mesmo gajo, lirismo-Morrisey, ficam com vontade de fazer amor, compadre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi o fim no dia em que ela chupou meu pau em prantos. Com a devoção de sempre, mas sem a paixão de outrora. E assim, às lágrimas, fomos dando tintas finais ao idílio. Mas agora, no momento em que gasto o latim, acabamos de chegar de outro tipo e vale de lágrimas, o além sem volta, por supuesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela ainda está aqui comigo, eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardo o ridículo costume de não deixar mulher que amo ir embora nunca. Ainda mais ela, a mais sublime. Só desgrudará com o meu cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem me lembro o dia em que partiu a desalmada, tampouco saiu desta casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai um objeto, um ralador de queijo que me faz lembrar do risoto dela. O ralador ganha vida e me rala a pele. Sangue, sangue, sangue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hitchcock do amor, sinto os utensílios do lar em permanente mal-assombro e suspense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no mesmo sobrado morreu um homem, conta uma vizinha. Nem ligo. Só o que restou do amor não inteiramente gasto me assusta. Tais partículas rondam o mundo e nunca descansam, reencarnando em outros seres, coitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem me lembro mais o dia em que partiste. Para o meu coração brega, amoroso e sentido, ontem continua sendo sempre hoje. Como o para-choque de um caminhão que vai e volta na rodovia da Saudade com a mesma frase triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na vitrola, toca Siboney, claro, play again, viver é bolero).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Quem a leu, eu sei, não se esqueceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por razão do dito pela Adélia: " o que a memória ama fica eterno". História de amor não inventada, acontecida, tão comovente quanto Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa. O que fiz foi só registrar o acontecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso contá-la de novo, para benefício daqueles que não a leram pela primeira vez, e a fim de acrescentar um final novo, inesperado, acontecido depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A testemunha que me relatou o sucedido foi sobrinho, médico-músico, pessoa querida e bonita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrasou-se para um compromisso na minha casa, chegou três horas depois, explicando que havia ido ao velório de um tio de 81 anos de idade que morrera de amor. Parece que seu velho corpo não suportara a intensidade da felicidade tardia, e os seus músculos não deram conta do jovem que, repentinamente, dele se apossara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor surgira no tempo em que ele é mais puro: a adolescência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naqueles tempos havia uma outra Aids, chamada tuberculose, que se comprazia em atacar as pessoas bonitas, os artistas, os apaixonados --- esses eram os grupos de risco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois ela, a tuberculose, invejosa da felicidade dos dois, alojou-se nos pulmões do moço, que teve de ir em busca de ar puro, no alto das montanhas, sanatório, tal como Thomas Mann descreve em seu livro -A montanha mágica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ia para tais lugares despedia-se com um "adeus", um olhar de "nunca mais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na melhor das hipóteses, muitos anos haveriam de passar antes do reencontro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino o sofrimento da jovem dividida: o corpo, naquela casa, a alma por longe terra! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida daquela menina, que surda, perdida guerra... (Cecília Meireles). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeram mais os prudentes conselhos da mãe e do pai: não trocar o certo pelo duvidoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale mais um negociante vivo que um tuberculoso morto. E aconteceu com ela o que aconteceu com a Firmina Dazza, que de longe e às escondidas namorava o Fiorentino Ariza, na estória de Gabriel García Márquez Amor nos tempos do cólera, que foi obrigada pelo pai a se casar com o doutor Urbino: não se troca um médico por um escriturário. Casou e com ele ficou até que, depois de 51 anos, veio a libertação... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela casou. Ele casou. Nunca mais se viram. Quando ele tinha 76 anos, ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos (ele tinha 79), ela ficou viúva. E ficou sabendo que ele estava vivo. A curiosidade e a saudade foram fortes demais. Foi procurá-lo. Encontraram-se. E, de repente, eram namorados adolescentes de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveram casar-se. Os filhos protestaram. Eles, os filhos, todos os filhos, não suportam a idéia de que os velhos também têm sexo. Especialmente os pais. Pais velhos devem ser fofos, devem saber contar estórias, devem tomar conta dos netos. Mas velho apaixonado é coisa ridícula. Não combina. Mais detalhes no livro da Simone de Beauvoir sobre a velhice. E houve também aquela estória do programa Você decide: o velho pai, infeliz a vida inteira com a esposa, encontra uma mulher por quem se apaixona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta: ele deve ou não deve deixar a esposa para viver o novo amor? Você decide... A decisão do público --- os filhos, evidentemente: "Não, ele não deve viver o novo amor..." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos sempre decidem contra o amor dos pais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na nossa estória, os dois velhos deram uma solene banana para os filhos e foram viver juntos em Poços de Caldas. Viveram um ano de amor maravilhoso, e ele até começou a escrever poesia e voltou a tocar o violino que ficara por mais de 50 anos sobre um guarda roupa, porque a esposa não gostava de música de violino. Confessou ao sobrinho: "Se Deus me der dois anos de vida com esta mulher, minha vida terá valido a pena..." Bem que Deus quis. Mas o corpo não deixou. Morreu de amor, como temia o Vinícius. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei a estória tão bonita que a transformei numa crônica a que dei um título inspirado nas Sagradas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrituras: "... e os velhos se apaixonarão de novo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa aqui o novo final para a estória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se semanas. Eram dez horas. Eu estava trabalhando no meu escritório. O telefone tocou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voz aveludada de mulher do outro lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- É o professor Rubem Alves? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Sim, respondi secamente. Eu sou sempre seco ao telefone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Quero agradecer a belíssima crônica que o senhor escreveu com o título: " ...e os velhos se apaixona-rão de novo". O senhor já deve ter adivinhado quem está falando.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Não, respondi. Por vezes eu sou meio burro. Aí ela se revelou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Sou a viúva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o início de uma deliciosa conversa de mais de 40 minutos, interurbano, em que ela contou detalhes que eu desconhecia. O medo que ela teve quando ele resolveu mandar consertar o violino! Ela temia que os dedos dele já estivessem duros demais... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Que metáfora fascinante para um psicanalista sensível! Sim, sim! Nem os violinos ficam velhos demais, nem os dedos ficam impotentes para produzir música! E aí foi contando, contando, revivendo, sorrindo, chorando --- tanta alegria, tanta saudade, uma eternidade inteira num grão de areia... Ao terminar, ela fez esta observação maravilhosa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Pois é, professor. Na idade da gente, a gente não mexe muito com sexo. A gente vive de ternura! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui termina a lição do Evangelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Em cada uma dessas cidades há uma pessoa, e essas pessoas tão distantes acaso pensareis que podem cultivar em segredo, como plantinha de estufa, um amor a distância?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andam em ruas tão diferentes e passam o dia falando línguas diversas; cada uma tem em torno de si uma presença constante e inumerável de olhos, vozes, notícias. Não se telefonam mais; é tão caro e demorado e tão ruim e além disso, que se diriam? Escrevem-se. Mas uma carta leva dias para chegar; ainda que venha vibrando, cálida, cheia de sentimento, quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita? A carta não diz o que a outra pessoa está sentindo, diz o que sentiu a semana passada... e as semanas passam de maneira assustadora os domingos se precipitam mal começam as noites de sábado, as segundas retornam com veemência gritando - "outra semana!" e as quartas já tem um gosto de sexta, e o abril de de-já-hoje é mudado em agosto...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, há uma frase na carta cheia de calor, cheia de luz; mas a vida presente é traiçoeira e os astrônomos não dizem que muitas vez ficamos como patetas a ver uma linda estrela jurando pela sua existência - e no entanto há séculos ela se apagou na escuridão do caos, sua luz é que custou a fazer a viagem? Direis que não importa a estrela em si mesma, e sim a luz que ela nos manda; e eu vos direi: amai para entendê-las!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao que ama o que lhe importa não é a luz nem o som, é a própria pessoa amada mesma, o seu vero cabelo, e o vero pêlo, o osso de seu joelho, sua terna e úmida presença carnal, o imediato calor; é o de hoje, o agora, o aqui - e isso não há.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então a outra pessoa vira retratinho no bolso, borboleta perdida no ar, brisa que a testa recebe na esquina, tudo o que for eco, sombra, imagem, um pequeno fantasma, e nada mais. E a vida de todo dia vai gastando insensivelmente a outra pessoa, hoje lhe tira um modesto fio de cabelo, amanhã apenas passa a unha de leve fazendo um traço branco na sua coxa queimada pelo sol, de súbito a outra pessoa entra em fading um sábado inteiro, está-se gastando, perdendo seu poder emissor a distância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cuidai amar uma pessoa, e ao fim vosso amor é um maço de cartas e fotografias no fundo de uma gaveta que se abre cada vez menos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não ameis a distância, não ameis, não ameis!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a)- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolosem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TP_8oHHU19I/AAAAAAAAC8g/9LHJdGft0aE/s1600/TEOBALDO.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="255" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TP_8oHHU19I/AAAAAAAAC8g/9LHJdGft0aE/s400/TEOBALDO.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; F&lt;/span&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;oto da minissérie,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Grande Sertão: Veredas, gravada em 1985&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Como começar algo pensando em não falar de amor, se sou todo amor, até me despedindo dele me faço capaz de senti-lo de novo, novo, já me falaram sabiamente que eu amo mais o amor que o objeto amado, amando, discordo, divago, sou um produto do meio, a sociologia certamente combateria isso, todos são capazes, mutáveis e agentes transformadores do meio, desculpem senhores, filósofos, antropólogos, pensadores, sábios e&amp;nbsp;poetas, mas, em matéria de amor eu &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;não aprendo, me prendo, tenho orgulho de falar que não sei no amor, sou uma analfabeta funcional de suas escrituras, li quase tudo, dos romances, dos poemas, das cartas trocadas na clandestinidade,&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;dos amores interrompidos, como sei, posso te falar de:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Laila e Majnun&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;(literatura árabe, um amor louco, visceral )&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Romeu e Julieta &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;(um clássico do amor trágico&lt;/span&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Tristão e Isolda&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;(uma lenda do povo celta)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Teobaldo e Diadorim &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;(Grande sertão: veredas, o amor no cangaço, no cansaço, disfarçado, ainda assim, amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Carlos Eduardo e Maria Eduarda &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;(Os maias, de Eça,os irmãos sem saber, se amam, é impossível julgá-los)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Florentino Ariza e Fermina Daza &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;(O amor nos tempos do cólera, do meu mestre,Gabriel Garcia Marquez, um amor que espera 53 anos, pra se realizar no outro)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Clara e Esteban&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;( A casa dos espíritos, ele nunca conseguiu tocá-la, passou anos tentando penetrar nela de uma outra forma&lt;/span&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Bentinho e Capitu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;(Dom Casmurro, posso ver os olhos da moça, olhos de ressaca, já desejei Capitu, já fui Bentinho, só não fui Machado)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Tereza e Thomas&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;( A insustentável leveza do ser, o amor revela-se quando o outro se mostra frágil, a possibilidade de compartilhar o leito do ser amado, muda tudo) &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange; font-family: Verdana; font-size: x-large;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&amp;nbsp;N&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;ossa, são tantos, todos eles ainda me acordam de madrugada,me pego catando suas significações, sentidos, posso falar por horas sobre esses amores, bravios, delicados, meus, sei contar detalhes, adoraria ter filhos pra isso, os faria querer o amor por meio dos amores que li, vi, toquei... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Agora se alguém me perguntar se sei amar, se sei no amor, se tenho experiência pra vivê-lo, se sei como evitar a dor, se eu conheço um final feliz, se é possível parar de senti-lo, te direi, nobre transeunte...&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 115%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;DO AMOR?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 115%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;EU NÃO SEI...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Fale mais do que seja possível pensar. Insista. Temos que ter a capacidade de superar as resistências. Toda primeira conversa enfrentará uma série de inconvenientes. Mas insista. Não recue com a gafe, com o estardalhaço, com a vergonha. Siga adiante. Comece a rir sozinha. Rir é receber a pergunta: o que você está rindo? Rir é ser perguntado. Não há motivo para rir, rir é se abraçar. Minha risada é meu gemido público. Acordar me deixa excitado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez aquela amiga não queira namorá-lo para não estragar a amizade. Portanto, diga: quero hoje estragar nossa amizade. Estragar de jeito. Arruinar nossa amizade. Corromper nossa amizade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrague fundo, o amor pode estar recolhido nela. Mas não aceite tão rápido o que ela não acredita. É disfarce, vivemos disfarçados de normalzinho, de ponderado, de retraído, porque a verdade quando surge faz atitudes impensadas, como comer algodão-doce nesta terça-feira diante de uma escola de normalistas. Que saudades de acenar para uma freira dirigindo um fusca. Deus é uma freira dirigindo um fusca. Tenho saudades de me exibir cortando laranjas. As tiras simétricas, os cabelos loiros da laranjeira. Tenho saudade de passear com a minha laranjeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se explique, insista. Eu não vou ficar esperando alguém me salvar. Eu mesmo me salvo. Eu mesmo me arrumo para a loucura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insista. O apaixonado cria sua boca. Cria sua boca para cada boca. Caso tenha prometido ir atrás dele, vá. Telefone, ainda que atrasada dois anos da promessa. Volte atrás, não queria pensar com os olhos, a boca são olhos mais atentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se intimide ao encontrar seu homem no momento errado. É sempre o momento errado. Seja o momento errado da vida dele. Mas seja parte da vida dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja o erro mais contundente da vida dele. Seja a vida do seu erro, para ele errar mais seguido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez aquele amigo não converse para manter a aparência de misterioso. Talvez ele nem saiba conversar, seja incompetente. Insista. Uma hora ele vai tomar um porre do seu silêncio, sentar no meio-fio e falar aramaico. Todo homem guardado uma hora fala aramaico. Insista, esteja perto para o sermão dos pássaros no viaduto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida mete medo quando ela não é formalidade, não temos como nos defender do que parte dos dentes. Tenha um medo assombroso da vida, que é mais justo, deixe a morte com ciúme e inveja, deixe a morte sem dançar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista. Sei o valor de uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém quer falar com ninguém. Mas insista. Na sala do dentista, no trem, no ônibus, no elevador. Insista. O que mais precisamos é estranheza para reencontrar a intimidade. Não há nada íntimo que não tenha sido estranho um dia. Seja estranho com o ascensorista, com o porteiro do prédio, com a colega. Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar. Ame por empréstimo. Ame devendo. Ame falindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansado de me defender - sou só ataque. Insisto. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Não tomou nada. É a ressaca da sobriedade. Um imperioso repuxo da boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta é sutil como perder um prendedor de cabelo. Quase insignificante como um enjoo, um cansaço. A consciência surgiu por acaso, sua origem não é bem certa, de repente na hora de escovar os dentes ou ao regar as plantas ou ao atender o interfone. Não tem lógica. Saímos do centro de gravidade que nos tornava absolutamente dependente dos gestos e das atitudes do outro. Estamos livres para pensar sozinhos e, ao mesmo tempo, presos para sempre na incompreensão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desamor é tão fulminante quanto a atração, mas com consequências embaraçosas. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Como abandonar a militância, a ideologia, e não ser visto como um traidor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;? Como narrar o que não tem enredo e reunir sentido em frases soltas e ensimesmadas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um vai se envergonhar de contar, trata-se de um sopro, não mais de uma voz. Não é algo para perguntar, está resolvido, fertilizado de impressões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que é duro sair de casa sem um motivo. Duro encarar quem amamos tanto tempo sem oferecer nenhuma explicação adequada e convincente para o fim. Duro conversar sem mesmo entender como ocorreu a passagem de lado, de uma fidelidade extrema e desesperada à indiferença. Duro executar a tarefa, sabendo que alguém aguarda ansiosamente uma palavra para desaguar os traços, uma palavra onde possa colocar a culpa e amaldiçoar nosso nome. Esse alguém precisa da palavra que não temos, como um pai ou uma mãe do corpo desaparecido do filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive-se a tragédia de não ter uma tragédia para desencadear a briga. Não haverá uma causa específica para a distância. Fugiremos do contato visual, por não corresponder mais às expectativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receberemos a fama de mentiroso, de fraco, de que estamos escondendo a verdade. Muitos forçam uma causa, para descontar o preço da loucura. Muitos revisam os últimos movimentos para justificar o término. Muitos mentem para não passar trabalho. Muitos tentam diminuir a injustiça inventando fatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aumenta a penumbra é que incrivelmente nunca mais encontraremos nosso par, apesar de viver na mesma cidade, frequentar o mesmo bairro, dividir gostos semelhantes. Nenhum esbarrão no mercado ou no banco. Os amigos em comum apagam as pistas. Não dá para compreender se mudamos os hábitos ou os hábitos não nos pertenciam mesmo e queríamos agradar pensando que eram nossos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha namorada reviu seu ex num bar. Ele estava acuado com o imprevisto, cumprimentou nervoso ao invés de ajudar o rosto a sorrir. Ela foi ágil, venceu as cadeiras de ferro, as mesas truncadas, esforçou seu quadril para criar interesse e perguntou o que ele andava fazendo. Eu assisti ao enlace esperando o momento de ser apresentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sondei o que passou pela cabeça de Cínthya: aquele rapaz simpático, de cabelos compridos e óculos ingênuos, foi um dia seu melhor, que ela também foi um dia o melhor dele. Ela tinha que mostrar ternura e não me ferir de ciúme. Ele tinha que apresentar confiança e não se abalar comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção ficou represada ou talvez já houvesse secado. A questão é que não se falavam durante cinco anos. Idealizaram um reencontro que não aconteceu. Não existe justiça depois da separação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.&lt;br /&gt;Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.&lt;br /&gt;William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.&lt;br /&gt;Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.&lt;br /&gt;Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.&lt;br /&gt;Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.&lt;br /&gt;A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.&lt;br /&gt;Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.&lt;br /&gt;Por isso porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver, eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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font-size: large;"&gt;Bianca Alves&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TOnW5rbbZrI/AAAAAAAAC70/pk5_D6ue_5A/s1600/chita.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TOpjcVUcNGI/AAAAAAAAC74/0OPBPHKUI-Q/s1600/chita.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TOpjcVUcNGI/AAAAAAAAC74/0OPBPHKUI-Q/s1600/chita.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Estou diante da folha branca, o teclado revela tantas letras, ensaio tocá-lo e escrever algo pra você dormir em paz na sua colcha de chita, tá tudo bem, amor, quero te dizer que tenho me cuidado, ido ao analista, feito caminhada e até rezado antes de dormir, quando a saudade aperta olho suas coisas ainda no mesmo lugar, temo tirá-las, você sabe que não lido bem com a verdade, com o absoluto, sou de uma matéria estranha, o tocável não me toca, faço poesia pra espantar o real, solidão também aquece e sexo quando só é só&amp;nbsp;frio, descobri que as minhas habilidades não me servem de nada, no máximo impressiono alguns estranhos, ando tão comum de uns tempos pra cá, não avaliei ainda se isso é bom ou se vou sentir falta de ser aquele ser diferente que sempre chama atenção quando anda pelas ruas, algo na minha comunicação morreu, e a dor anda me calando, alguns dirão que pareço mais sábia,quem chegar perto saberá que ando entalada, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;estou plena de vazios doces, esse texto&amp;nbsp;meu bem,&amp;nbsp;não era pra ser triste, era apenas para te contar que estou bem, que as vezes sou quase alegre de tão triste, que o cactos cresceu e vou precisar arrumar&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;um outro vaso, que ando pensando em ser feliz qualquer dia desses, que o meu sorriso não é mais tão fácil, que o violão permanece sem cordas, não quero ele me falando de você, tá tudo tão confuso e simples, e isso não é culpa sua, nem minha, é recente essa minha impressão de que tudo é muito confuso e muito simples, falo isso sorrindo, dessa vez não é dor, é só uma sabedoria adquirida com as cicatrizes, engraçado, elas não me fizeram dura, não vou fugir do amor quando ele me achar, tenho planos pra ele, mas, isso eu não confesso a ninguém, nem a mim, ando com medo de ser feliz, mudar é difícil, tristeza...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; 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Temos uma mulher presidente...'/><author><name>bianca alves de lima</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-1cg4djXMLTA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/YruyGpOpYEw/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24472875.post-4561426367249719114</id><published>2010-10-25T12:31:00.003-02:00</published><updated>2010-10-25T12:36:50.126-02:00</updated><title type='text'>Discurso de Deus a Eva</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Millôr Fernandes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TMWUwVsA66I/AAAAAAAAC7s/4kLveqxZwEI/s1600/adao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" nx="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TMWUwVsA66I/AAAAAAAAC7s/4kLveqxZwEI/s320/adao.jpg" width="254" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;"...&lt;/span&gt; Eva, de repente, descobrindo uma bela cascata, resolveu tomar um banho de rio. A criação inteira veio então espiar aquela coisa linda que ninguém conhecia. E quando Eva saiu do banho, toda molhada, naquele mundo inaugural, naquela manhã primeval, estava realmente tão maravilhosa que os anjos, arcanjos e querubins, ao verem a primeira mulher nua sobre a Terra, não se contiveram, começaram a bater palmas e a gritar, entusiasmados:&lt;/em&gt; &lt;span style="color: orange;"&gt;"&lt;strong&gt;O AUTOR! O AUTOR! O AUTOR!".&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"P.S. - Este discurso do Todo-Poderoso está sendo divulgado pela primeira vez em todos os tempos, aqui neste livro. Nunca foi publicado antes, nem mesmo pelo seu órgão oficial, A BÍBLIA."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-large;"&gt;"Minha cara,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu te criei porque o mundo estava meio vazio, e o homem, solitário. O Paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro. As árvores, ninguém para criticá-las; os jardins, ninguém para modificá-los; as cobras, ninguém para ouvi-las. Foi por isso que eu te fiz. Ele nem percebeu e custará os séculos para percebê-lo. É lento, o homenzinho. Mas, hás de compreender, foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila, material precário, embora maleável. Já em ti usei a cartilagem de Adão, matéria mais difícil de trabalhar, mais teimosa, porém mais nobre. Caprichei em tuas cordas vocais, poderás falar mais, e mais suavemente. Teu corpo é mais bem acabado, mais liso, mais redondo, mais móvel, e nele coloquei alguns detalhes que, penso, vão fazer muito sucesso pelos tempos a fora. Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensara que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho. Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus public-relations, os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.&lt;br /&gt;Nasces sábia, na certeza de todos os teus recursos, enquanto o Homem, rude e primário, terá que se esforçar a vida inteira para adquirir um pouco de bens que depositará humildemente no teu leito. Vai! Quando perguntei a ele se queria uma Mulher, e lhe expliquei que era um prazer acima de todos os outros, ele perguntou se era um banho de rio ainda melhor. Eu ri. O homem e um simplório. Ou um cínico. Ainda não o entendi bem, eu que o fiz, imagina agora os seus semelhantes.&lt;br /&gt;Olha, ele acorda. Vai. Dá-me um beijo e vai. Hmmmm, eu não pensava que fosse tão bom. Hmmmm, ótimol Vai, vai! Não é a mim que você deve tentar, menina! Vai, ele acorda. Vem vindo para cá. Olha a cara de espanto que faz. Sorri! Ah, eu vou me divertir muito nestes próximos séculos!&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-large;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Talvez ela peça que se considerem os valores religiosos na hora de abordar questões como o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção de filhos por casais homossexuais, os vínculos entre Igreja e Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se Marina Silva refere-se apenas à tradição cristã, ou se também considera a cultura religiosa indígena e negra. Católicos e evangélicos não deram nenhum exemplo de respeito pela religião praticada por negros e índios, desde o nosso descobrimento. Jesuítas chegavam ao Brasil com o intuito de evangelizar os "gentios", de transformá-los em cristãos através do batismo, não respeitando o animismo de suas crenças e impondo-lhes conceitos estranhos como o de céu e inferno. Pastores protestantes ainda pregam o evangelho entre remanescentes tribais, sobretudo na Amazônia. &lt;br /&gt;A Igreja Católica sequer reconhecia que índios e negros tivessem alma, que fossem humanos. Isso facultava o direito aos colonizadores de escravizá-los, torturá-los e matá-los. Numa monarquia vinculada ao clero, todo acréscimo de poder do rei significava, igualmente, um incremento do poder da Igreja. E riqueza, muita riqueza. Os católicos, ao contrário dos protestantes, condenavam a usura como pecado, mas nunca deixaram de praticá-la por vias indiretas. &lt;br /&gt;Os padres discriminavam os negros e suas crenças, mesmo quando os convertiam ao catolicismo. Não permitiam o acesso deles ao interior dos templos, obrigando-os a assistirem missa do lado de fora, ou em templos construídos por confrarias de escravos, freqüentados apenas por escravos. Proliferaram as igrejas de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e Pardos, no Brasil colonial. Essas mesmas instituições religiosas que agora demonizam candidatos e partidos com discurso progressista, também demonizam as religiões dos orixás e dos xamãs. &lt;br /&gt;No Recife, no tempo de Gilberto Freyre, a polícia invadia os terreiros onde se praticava as religiões africanas e levava para a delegacia os instrumentos rituais. Nossa propalada liberdade de culto foi sempre claudicante, um apartheid bem disfarçado. Algum candidato apareceu no guia eleitoral, dentro do pegi de um terreiro? Ou se disse filho de Oxalá, Iansã ou Xangô e beijou os ferros de Ogum? É claro que não. Os cultos africanos estão desprestigiados e certamente isso daria pouco voto. É melhor tentar aparecer na romaria de Canindé, no Ceará, em meio aos milhares de romeiros de São Francisco. Felizmente, o padre vetou o candidato: proclamou a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. &lt;br /&gt;Tomara que o debate em torno das religiões se prolongue de maneira mais séria e objetiva após o 31 de outubro. Temos uma herança judaico-cristã e não seríamos o povo que somos sem o legado das nações negras. Os índios entram nesse caldo mestiço, ao qual se somaram italianos, japoneses, alemães, sírios, libaneses, franceses, e etc., etc., etc. Mestiçagem de Gilberto Freyre ou antropofagia de Oswald de Andrade? Não importa. Interessa o respeito pela cultura híbrida. E isso se alcança não demonizando crenças e pontos de vista de cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Portanto, literalmente, entusiasmo significa ter&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;um &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Deus dentro de nós&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;), o senhor se ajoelha e agradece, o presidente ensaia um discurso para entrar para história, jornalistas tentam fotografar o único, captar a lágrima com zoom, um dos homens é recebido pela amante (aquela que ama, que se mostra, que é julgada), a esposa( fica em casa, cuidando das coisas que ele gosta, preparando o melhor prato, vestida&amp;nbsp;com a &amp;nbsp;roupa de domingo), não cabem julgamentos, não os meus.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;E como ficou a moça que recebeu o pedido de casamento?, &lt;em&gt;&lt;span style="color: orange; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;strong&gt;"...Quando eu sair daqui, compramos o vestido e nos casamos.”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; agora faz planos, sairá em breve pra olhar vestidos, como diria Adriana Falcão, “N de "&lt;strong&gt;noiva&lt;/strong&gt;", moça que geralmente usa &lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: #f3f3f3; color: red;"&gt;branco&lt;/span&gt; por fora e &lt;span style="color: red;"&gt;vermelho&lt;/span&gt; por dentro”,&lt;/strong&gt; o mundo viu o Chile, dos Allende, Neruda, de perto e gostou, a caverna nos aproxima...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: #3d85c6;"&gt;Quantos não estão em suas cavernas agora?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Esperando alguém que o salve da escuridão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;um bilhete com um pedido de casamento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;uma crença qualquer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;um sentido pra morte das coisas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;um amor que fique&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;uma alegria que demore&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;uma fome inédita do outro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;um abraço que cure&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;um adeus que deixe de acreditar no fim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;um Deus que me olhe nos olhos e compreenda que os amores me escolheram&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;e que aquele ser de cachos, pintas e formas...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;Pode me tirar daqui...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Añais Nin estava certa. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mínimo, merecia ser incriminado por omissão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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É claro, que a igreja pode interferir como toda sociedade pode em questões humanisticas, na luta contra ditaduras, perseguições, torturas e principalmente na degradação do legado homem, esse texto não pretende tirar a importância das crenças, dos credos, das paixões, eu também tenho minhas crenças e considero meu olhar um tanto místico, fui convertida ainda cedo pela literatura e pela música, Deus me toca de outra forma e mesmo assim mora em mim, desconheço as fundações dos homens, quando entro numa igreja admiro mais sua arquitetura e a paleta gótica nos vitrais, prefiro sempre o olhar dos noivos a fala do padre, vejo Deus nos silêncios das coisas, no barulho, apenas quando chove, conversamos pouco e quando nos falamos não costumo pedir nada, ele sabe da minha relação com a beleza, me deu olhos inéditos, sabe da minha capacidade de encantamento, agradeço com sorrisos e ele, acho eu, também sorri, da leitura sagrada gosto de cantares de salomão, pela poesia descrita no leito dos amantes(aqueles que amam) &lt;em&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;"Eis que és bela, amada minha, eis que és bela! Teus olhos, pombas..." (1,15a). A amada fala para o amado: "Eis que és belo, meu amor! Tão atraente és, quanto viçoso é nosso leito..." (1,16a).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Belo texto, a Bíblia sagrada é riquíssima por isso atravessou a história de seus filhos, toda essa explanação sobre crenças, credos e religiões, conhecido pelos jornalistas como nariz de cera, enrolação, enfeite e por mim como preliminares fundamentais, já que a palavra precisa ser aquecida, pra ganhar a profundidade de ouvidos virginais, é pra repudiar o papel de alguns religiosos e da imprensa em relação a campanha oportunista e cheia de factóides, criada para difamar as propostas e idéias levantadas pela campanha da candidata Dilma Rousseff, a endemonização do Partido dos Trabalhadores, já dura tantos anos, e é tão ridícula, e ainda assim ganha o pais e atropela o cenário e as conquistas que vivemos, um partido que emergiu do povo, que o seu principal representante é um torneiro mecânico, filho de uma mãe dedicada, católica, que tem na sua bandeira uma estrela branca, num fundo vermelho, costurada pelas mãos de Marisa Letícia (mulher de Lula), tudo isso é tão familiar, tudo tão próximo da minha história, da sua, me envergonha que ainda contem uma história que propaga o terror, a mentira e a ira de pessoas inocentes, que fazem tudo em nome de uma fé consolidada no medo, no não pensar por si só, e acreditam num Deus que pune tudo e que precisa de homens tementes e ajoelhados, um Deus humano, vingativo, um Deus pequeno, um Deus que tortura, um Deus que não aceita a diferença, um Deus interessado no seu espelho, um Deus que quer ser adorado, um Deus Narciso, omisso, conheço Deus, não reconheço esse Deus como meu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sou mulher e sei que não existem mulheres&amp;nbsp;à favor da morte, do aborto, de privar a vida de ser, o que ela precisa ser, mas, tudo é sempre tão mais profundo,vai tão além das minhas crenças, é sábio que na superficialidade que nascem e se criam os preconceitos mais enraizados, quando eu não me permito conhecer de verdade eu me permito julgar e erro, as ações que falam sobre o aborto no Brasil, são sociais, é preciso cuidar de gente, de gente que não tá na igreja, que tá na rua, que virou paisagem, que nunca é vista, de gente que sofreu todo tipo de abuso e vai colocar na vida, alguém que será abortado em vida, sei, que essa conversa é ampla e não cabe aqui, não sejamos injustos, existem políticas sociais que salvam vidas, uma bem simples, o uso da camisinha (condenado pela igreja), a Aids na África já matou cerca de 17 milhões de pessoas, e mesmo assim, a igreja continua achando certo não usar a camisinha, pense, isso também não é um tipo de aborto? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;No dia 31 de outubro, faça o certo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;Sou petista, mulher e acredito na vida...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: orange; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Bianca Alves&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TKuUG6NuVeI/AAAAAAAAC7A/syCqET1tnnc/s1600/maca_1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="294" px="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TKuUG6NuVeI/AAAAAAAAC7A/syCqET1tnnc/s320/maca_1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Tenho uma letra triste&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Um canto calado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Um amor interrompido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Uma nudez na memória&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Um tango que não dançamos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Uma dor que deveras hoje, agora, fosse inventada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ando me despindo de você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Epiderme, derme e agora o hipoderme&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Amor presente nos passos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ainda ando ao teu encontro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Peço...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;Adormeça em mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Pegue suas coisas e parta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sem levar nenhuma parte&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não faça mais arte&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não se despeça com um até logo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Tudo que não é adeus, me faz pedir a Deus mais de você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Vamos deixar o amor morrer no silêncio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Num leito esquecido,pálido, sem visitação&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;E&amp;nbsp;quando um estranho chegar e perguntar os motivos da morte daquele ser vestido com as roupas do amor&lt;/span&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt; &lt;strong&gt;(NU)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Respondam, com uma tristeza quase bonita&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Morreu de tanto amar, o amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Oscilo. Não sei se devo acreditar ou duvidar. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: orange; color: white;"&gt;&lt;strong&gt;Se acredito, duvido. Duvido porque acredito. Pois foi ele mesmo quem disse – ou melhor, o seu outro, o Fernando Pessoa – que ele era um fingidor. “Todas as cartas de amor se não fossem ridículas…”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TKefFA6KM5I/AAAAAAAAC68/Fxm4x-4YatI/s1600/envelope-x.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="226" px="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TKefFA6KM5I/AAAAAAAAC68/Fxm4x-4YatI/s320/envelope-x.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tenho no meu escritório a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço. “A mulher que lê”, de Johannes Vermeer (1632 – 1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz da janela. Seus olhos lêem o que está escrito naquela folha de papel que suas mãos seguram, a boca ligeiramente entreaberta, quase um sorriso. De tão absorta, ela nem se dá conta da cadeira, ao seu lado. Lê de pé.&lt;br /&gt;Penso ser capaz de reconstituir os momentos que antecedem este que o pintor fixou. Pancadas na porta interromperam as rotinas domésticas que a ocupavam. Ela vai abrir e lá estava o carteiro, com uma carta na mão. Pela simples leitura do seu nome, no envelope, ela identifica o remetente. Ela toma a carta e, com este gesto, toca uma mão muito distante.&lt;br /&gt;Para isto se escrevem as cartas de amor. Não para dar notícias, não para dar conta de nada, não para repetir as coisas por demais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel.Barthes cita estas palavras de Goethe: “Por que me vejo novamente compelido a escrever? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque, na verdade, nada tenho para te dizer. Entretanto tuas mãos queridas receberão este papel…”&lt;br /&gt;Volto a Álvaro de Campos. Será esta razão do ridículo das cartas de amor – o descompasso entre o que elas dizem e aquilo que elas realmente querem fazer? Pois o propósito explícito de uma carta é dar notícias, e é por isso que elas são feitas de palavras. Mas o que elas realmente desejam realizar está sempre antes e depois da palavra escrita: elas querem realizar aquilo que a separação proíbe: o abraço. Quem quer que tente entender uma carta de amor pela análise da escritura estará sempre fora de lugar, pois o que ela contém é o que não está ali, o que está ausente. Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala do desejo, a dor da ausência, a nostalgia pelo reencontro.&lt;br /&gt;Aquela carta fez tudo parar. A mulher fecha a porta e caminha pela casa sem nada ver, buscando uma coisa apenas, a luz, o lugar onde as palavras ficarão luminosas. Que lhe importa a cadeira? Esqueceu-se de que está grávida. Seus olhos caminham pelas palavras que saíram das mesmas mãos que a abraçaram. Seu corpo está suspenso naquele momento mágico do carinho impossível que aquele pedaço de papel abriu no tempo do seu cotidiano.&lt;br /&gt;Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas em casa, ela as deixou. Bem pode ser que as coisas que estão nela escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas, para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo: “Escrevo para que você fique sozinha…” É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade. Pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é o objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono.&lt;br /&gt;Olho para o céu. Vejo a Alfa Centauro. Os astrônomos me dizem que a estrela que agora vejo é a estrela que foi, há dois anos. Pois foi este o tempo que sua luz levou para chegar até os meus olhos. O que eu vejo é o que não mais existe. E será inútil que eu me pergunte: Como será ela agora? Existirá ainda? Respostas a estas perguntas eu só vou conseguir daqui a dois anos, quando a sua luz chegar até mim. A sua luz está sempre atrasada. Vejo sempre aquilo que já foi…Nisto as cartas se parecem com as estrelas.&lt;br /&gt;A carta que a mulher tem nas mãos, que marca o seu momento de solidão, pertence a um momento que não existe mais. Ela nada diz sobre o presente do amante distante. Daí a sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que ainda não existe. A amante que lê alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um abraçar do vazio…&lt;br /&gt;“Ainda bem que o telefone existe”, retrucarão os namorados modernos, que não mais têm de viver o amor no espaço das ausências. Engano. Um telefonema não é uma carta falada. Pois lhe falta o essencial: o silêncio da solidão, a calma da caneta pousada sobre a mesa que espera e escolhe pensamentos e palavras. O telefone põe a solidão a perder. Num telefonema a gente nunca diz aquilo que se diria numa carta. Por exemplo: “Eu ia andando pela rua quando, de repente, vi um ipê-rosa florido que me fez lembrar aquela vez…” Ou: “Relendo os poemas de Neruda, encontrei este que, imagino, você gostará de ler…”&lt;br /&gt;A diferença entre a carta e o telefone é simples. O telefone é impositivo. A conversa tem de acontecer naquele momento. Falta-lhe o ingrediente essencial da palavra que é dita sem esperar resposta. E, uma vez terminado, os dois amantes estão de mãos vazias.&lt;br /&gt;Mas a mulher tem nas mãos uma carta. A carta é um objeto. Se não tivesse podido recolher-se à sua solidão, ela poderia tê-la guardado no bolso, na deliciosa espera do momento oportuno. O telefone não pode esperar. A carta é paciente. Guarda as suas palavras. E, depois de lida, poderá ser relida. Ou simplesmente acariciada. Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é mais que uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade, de um sacramento: presença sensível de uma felicidade invisível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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São três e meia da madrugada. Minha noite é sem lua. Minha noite tem olhos grandes que olham fixamente uma luz cinzenta filtrar-se pelas janelas. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Minha noite chora e o travesseiro fica úmido e frio.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Minha noite é longa, muito longa, e parece estender-se a um fim incerto. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Minha noite me precipita na ausência sua.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Eu o procuro, procuro seu corpo imenso ao meu lado, sua respiração, seu cheiro. Minha noite me responde: vazio; minha noite me dá frio e solidão. Procuro um ponto de contato: a sua pele. Onde você está? Onde você está? Viro-me para todos os lados, o travesseiro úmido, meu rosto se gruda nele, meus cabelos molhados contra as minhas têmporas. &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;Não é possível que você não esteja aqui.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Minha cabeça vaga errante, meus pensamentos vão, vêm e se esfacelam. Meu corpo não pode compreender. Meu corpo quer você. Meu corpo quer esquecer-se por um momento no seu calor, meu corpo pede algumas horas de serenidade. Minha noite é um coração de estopa. Minha noite sabe que eu gostaria de olhar você, acompanhar com as minhas mãos cada curva do seu corpo, reconhecer seu rosto e acariciá-lo. Minha noite me sufoca com a falta de você. Minha noite palpita de amor, amor que eu tento represar mas que palpita na penumbra, em cada fibra minha. Minha noite quer chamar você, mas não tem voz. Mesmo assim quer chamá-lo e encontrá-lo e se aconchegar a você por um momento e esquecer esse tempo que martiriza. Meu corpo não pode compreender. Ele tem tanta necessidade de você quanto eu, talvez ele e eu, afinal formemos um só. &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;Meu corpo tem necessidade de você, muitas vezes você quase me curou.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Minha noite se esvazia até não sentir mais a carne, e o sentimento fica mais forte, mais agudo, despido da substância material. Minha noite se incendeia de amor. São quatro e meia da madrugada. Minha noite se esgota. Ela sabe muito bem que você me faz falta e toda a escuridão não basta para esconder essa evidência. Essa evidência brilha como uma lâmina no escuro. Minha noite quer ter asas para voar até onde você está, envolvê-lo no seu sono e trazê-lo até onde estou. Em seu sono você me sentiria perto e seus braços me enlaçariam sem você despertar. Minha noite não traz conselhos. Minha noite pensa em você, sonha acordada. Minha noite se entristece e se desencaminha. Minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O silêncio ouve apenas minhas vozes interiores. Minha noite é longa, muito longa. Minha noite teme que o dia nunca mais apareça, porém ao mesmo tempo minha noite teme seu aparecimento, porque o dia é um fio artificial em que cada hora conta em dobro e, sem você, já não é vivida de verdade. Minha noite pergunta a si mesma se meu dia não se parece com a minha noite. Isso explicaria à minha noite por que razão eu também tenho medo do dia. Minha noite tem vontade de me vestir e me jogar para fora, para ir procurar o meu homem. Minha noite o espera. Meu corpo o espera. Minha noite quer que você repouse no meu ombro e que eu repouse no seu. Minha noite quer ser voyeur do seu gozo e do meu, ver você e me ver estremecer de prazer. Minha noite quer ver nossos olhares e ter nossos olhares cheios de desejo. Minha noite é longa, muito longa. Perde a cabeça, mas não pode afastar de mim a sua imagem, não pode fazer desaparecer o meu desejo. Ela morre por saber que você não está aqui, e me mata. Minha noite o procura sem cessar. &lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separe.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;Meu corpo enlouquece de dor por não poder reconhecer no meio da minha noite a sua silhueta ou a sua sombra. Meu corpo gostaria de beijá-lo em seu sono. Meu corpo gostaria em plena noite de dormir e, nessas trevas, ser despertado com os seus beijos. Minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. Minha noite grita e rasga os seus véus, minha noite se choca contra o próprio silêncio, mas meu corpo continua impossível de ser encontrado. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;Você me faz tanta falta, tanta. E suas palavras. E sua cor.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.&lt;br /&gt;O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.&lt;br /&gt;O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.&lt;br /&gt;O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.&lt;br /&gt;Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.&lt;br /&gt;O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.&lt;br /&gt;O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.&lt;br /&gt;O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.&lt;br /&gt;O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.&lt;br /&gt;O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.&lt;br /&gt;O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quantos ainda vamos perder em nome de Deus e de nossas crenças primitivas? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quantos homens surgirão querendo queimar o livro sagrado de um povo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quantas mulheres serão julgadas, apedrejadas por amar o homem que o seu coração escolheu? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quantas minas terrestres deceparão sonhos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quantas fronteiras imaginárias ainda separarão povos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quantos homossexuais serão expulsos de suas casas? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Até quando o negro terá que se afirmar pra ter papel principal?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas perguntas soltas, pra poucas respostas, poucos mártires, na verdade eu não sei aonde andam os mártires, os novos prêmios Nobel da paz, estou presa numa literatura do passado, lendo Max, Che, Rosa Luxemburgo, voltando sempre para o Gabriel Garcia Marquez (minha inspiração literária tem 82 anos), não te falaria nada novo, nada recente, te contaria sobre os que já se foram de tão bons que eram, Clarice, Caio, Cecília, Borges, tantos, é preciso ter novas referências, novas inspirações, novos heróis, inventar uma nova música, uma nova arte, um novo conceito, derrubar as cercas da opinião alheia, dos críticos abitolados e dos pseudos intelectuais, faço essa explanação pra tentar entender a intolerância diante de tanta liberdade, de tantos meios de comunicação, de tanto acesso a tudo, meu, Deus, Shiva, Alá, Buda, Wicca, Cristo, cheguem mais perto dos seus e&amp;nbsp;os tornem&amp;nbsp;menos crueis em nome de vocês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;AMÉM&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Eu ainda estou molhada e procurando me levantar. &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Bianca Alves&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b5KV1Lf2NkY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/b5KV1Lf2NkY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero me sentar com você e conversar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero tirar as máscaras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E descobrir o que é que eu fiz de errado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero rasgar estas cortinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero que você me encontre em algum lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje à noite nesta antiga cidade turística&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque temos que nos levantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que nos levantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque receio que já tivemos o suficiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não há mais nada que nos faça cair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, por amor a você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero te levar ao penhasco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero me jogar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ver o que este grande oceano tem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero transformar tudo ao meu redor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero beber com você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite toda, até nós dois cairmos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até cairmos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque temos que nos levantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que nos levantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque receio que já tivemos o suficiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não há mais nada que nos faça cair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, por amor a você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque temos que nos levantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que nos levantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque receio que já tivemos o suficiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não há mais nada que nos faça cair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, por amor a você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por amor a você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo devagar, erguendo devagar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero me sentar com você e conversar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero me sentar e conversar sobre isso agora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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font-size: x-small;"&gt;“Sei que Deus mora em mim como sua melhor casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;Sou sua paisagem,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;sua retorta alquímica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;e para sua alegria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;seus dois olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: orange; font-size: x-small;"&gt;Mas esta letra é minha.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bianca Alves&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TH2-9ZKmbVI/AAAAAAAAC4Q/2_HDwD06NII/s1600/cora%C3%A7ao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TH2-9ZKmbVI/AAAAAAAAC4Q/2_HDwD06NII/s320/cora%C3%A7ao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Adoro o jeito doce e firme que essa mulher toca a palavra, muitas vezes quando me encontro com ela por meio de seus livros, textos, poemas, me sinto sentada numa cadeira perto de um fogão de lenha, vendo ela cozinhar palavras e gostos, sua poesia nasce sem estrelismos, vídeos no yotube, apenas brota como algo que existe sem se perguntar o porque.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Hoje, só escrevo aqui porque a palavra é minha confidente, me converti cedo a ela&lt;br /&gt;Quando a dor aperta eu me derramo, me entrego sem medo a essas teclas e cato palavras sinceras&lt;br /&gt;Minha poesia, se for poesia o que faço, me revela, me mostra nua,ainda sua, passional&lt;br /&gt;Sinto fraqueza quando me confesso para um blog ou para alguém que passe os olhos tristes nele&lt;br /&gt;Quando deveria me confessar a você&lt;br /&gt;Não, não cabe mais&lt;br /&gt;Você me conhece tão bem, sou puro sentimento exposto, sinto e falo&lt;br /&gt;Vou me confessar aqui mesmo para quem passar&lt;br /&gt;Para quem demorar os olhos&lt;br /&gt;Para o curioso que quer ler minha dor&lt;br /&gt;Para o que sente que me conhece&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Para a moça de riso fácil que acha graça dos meus encontros com a palavra&lt;br /&gt;Para o que pensa que isso tudo é desespero&lt;br /&gt;Para o que torce que eu reencontre o meu amor&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Para o que pretende ser meu novo amor&lt;br /&gt;Para o que me encontra todo dia me e inclui em suas orações&lt;br /&gt;Confesso!&lt;br /&gt;Deus ou aquilo que chamamos de Deus, me ama&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Me deu um coração forte, me cobriu de poesia e pra me testar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou meu amor mais bonito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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O inconsciente desconhece linhas retas. Ele dança. Escreverei as idéias na ordem em que me chegarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevo um poema de Fernando Pessoa. O eixo desse poema é a palavra “Outra” que vai se repetindo. “Outra” não se refere à outra, a amante proibida. Refere-se à “Outra” que mora na imagem da pessoa amada a quem dou as mãos. Amo a minha amada porque vejo nos seus olhos essa “Outra”. Vocês, mulheres, troquem o “Outra” por “Outro”… Não me culpem. É o Fernando Pessoa que escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira linha enuncia o moto: “Amamos sempre no que temos o que não temos quando amamos”. Tenho a minha amada num abraço. Mas o que amo não é a mulher que tenho nos meus braços. É aquilo que não tenho ao abraçá-la. Essa é a dor do amor. Eliot orava: “Livra-me da dor do amor não satisfeito e da dor muito maior do amor satisfeito”. O amor não satisfeito dói na esperança de que, se satisfeito, parará de doer. Mas o amor satisfeito dói por sentir que a dor continua a doer. O amor não pode ser satisfeito. Não há ninguém que seja do tamanho do nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema segue: “O barco pára, largo os remos e, um a outro, as mãos nos damos. A quem dou as mãos? À Outra. Teus beijos são de mel de boca, são os que sempre pensei dar, e agora a minha boca toca a boca que eu sonhei beijar. De quem é a boca? Da Outra. Os remos já caíram na água, o barco faz o que a água quer. Meus braços vingam minha mágoa no abraço que enfim podem ter. Quem abraço? A Outra. Bem sei, és bela, és quem desejei… Não deixe a vida que eu deseje mais que o que pode ser teu beijo e poder ser eu que te beije. Beijo e em quem penso? Na Outra. (…) Ah, talvez mortos ambos nós, num outro rio sem lugar em outro barco outra vez sós possamos nós recomeçar que talvez sejam a Outra. Mas não, nem onde essa paisagem é sob eterna luz eterna te acharei mais que alguém na viagem que amei com ansiedade terba por ser parecida com a Outra. Ah, por ora, idos remo e rumo, dá-me as mãos, a boca, o teu ser. Façamos desta hora um resumo do que não poderemos ter. Nesta hora, a única, sê a Outra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é essa “Outra” ou “Outro” que mora em ti e por cuja causa eu te amo? Num outro poema ele responde: “Ninguém a outro ama, senão ama o que de si há nele, ou é suposto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será esse o segredo do mito de Narciso? Estamos todos apaixonados por nossa própria imagem refletida no outro? Os olhos do outro, a música da sua fala, os seus gestos, pintam a imagem que desejo ser. Já o espelho e a fotografia me mostram como sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa relata a sua experiência com uma foto: todos os companheiros de escritório juntos, sorridentes. Ele, insignificante. Mas os companheiros lhe diziam: “Como estás bem, ó Fernando…” O espelho e as fotografias mostram a nossa insignificância. Mas os olhos da amada que sorriem ao me ver me dizem: “Como és belo…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milan Kundera, no seu livro A insustentável leveza do ser, medita sobre o mistério do amor entre Tomas e Tereza. “Tereza sabe que é mais ou menos assim o instante em que nasce o amor: a mulher não resiste à voz que chama sua alma amedrontada; o homem não resiste à mulher cuja alma se torna atenta à sua voz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Parece que existe no cérebro uma zona específica, que poderíamos chamar de memória poética, que registra o que nos encantou, o que nos comoveu, o que dá beleza à nossa vida. Desde que Tomas conhecera Tereza nenhuma outra mulher tinha o direito de deixar a marca, por efêmera que fosse, nessa zona do cérebro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As metáforas são perigosas. O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética”. Tomas amava Tereza porque ela lhe viera doente, sozinha, febril. Enquanto cuidava dela veio-lhe a imaginação uma criança indefesa, que vinha a ele numa cesta de vime nas águas de um rio, como aconteceu a Moisés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cassiano Ricardo colocou sua meditação sobre o amor num poema terrível, inspirado talvez na pergunta de Agostinho: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;“O que amo quando te amo?”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; “Por que tenho saudade de você, no retrato, anda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto do poema é uma tentativa de dar uma resposta a essa pergunta. Mas a resposta é simples: o retrato, imóvel, sem respiração, é o lugar onde posso colocar a imagem daquela que amo e que mora em você mas não é você. Se não é você, é quem? Sou eu: “Ninguém a outro ama, senão ama o que de si há nele, ou é suposto…” Procuro-me na pessoa amada. Todos estamos à procura dos pedaços que nos foram arrancados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No romance Quando Nietzsche chorou (maravilhoso!) Breuer pede a Nietzsche que o analise, em razão de uma paixão absurda: ele, quarentão, médico de reputação, casado, estava apaixonado por uma jovem histérica, Anna O., que se encontrava internada na sua clínica. A única pergunta que Nietzsche fazia ao apaixonado era: “Qual é o sentido? Qual é o sentido?” Traduzindo em nossa linguagem: “Qual é o nome do peixe encantado que nada nessa fonte chamada Anna O.?” Seria o seu sorriso de criança? Sua fragilidade? Sua dependência total? Faço a mesma pergunta a você: “Qual é o sentido?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roland Barthes perdeu a mãe. Ficou só. Na solidão empreendeu uma pesquisa: ajuntou todas as fotografias da sua mãe e foi, vagarosamente, uma a uma, procurando a imagem que ele amava. Porque não é em qualquer foto que a imagem aparece. Pois Barthes foi de fotografia em fotografia, todas de sua mãe, sem encontrar a imagem que ele procurava, até que a encontrou: uma velha fotografia de sua mãe criança! Era essa a imagem que ele amava: a criança que morava na sua mãe velhinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ditas todas essas coisas inúteis para os apaixonados, permanece a verdade do poema da Adélia Prado: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;“&lt;em&gt;O amor é a coisa mais alegre. O amor é a coisa mais triste. O amor é a coisa que eu mais quero…”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai &lt;span style="color: orange;"&gt;......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............&lt;/span&gt; sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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Eu tenho e elas me revelam, sou um ser que acredita, não estranhe isso aqui também é poesia, é literatura, como dizia Kafka , &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Tudo o que não é literatura me aborrece, e eu odeio até mesmo as conversas sobre literatura”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Eu - Bianca Alves, Quero Dilma Presidente!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio Gramsci&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TGryFm8pGbI/AAAAAAAAC3Q/oAzX5S09KGU/s1600/Logo_da_Dilma-2010.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_rnQELKDGHJI/TGryFm8pGbI/AAAAAAAAC3Q/oAzX5S09KGU/s320/Logo_da_Dilma-2010.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.&lt;br /&gt;A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.&lt;br /&gt;A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.&lt;br /&gt;Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: orange;"&gt;Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!--
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